
Esteve recente - mente em Portugal a convite do Bloco de Esquerda. Chama-se Malalai Joya e é uma afegã de 31 anos.
Em 2003, na Loya Jirga, a assembleia de representantes locais que preparou a Constituição do país, fez um discurso de três minutos no qual denunciou a presença de corruptos, criminosos e senhores da guerra. Escapou intacta com a ajuda das Nações Unidas. Depois foi eleita deputada, continuou com as mesmas denúncias, e comparou o Parlamento a um jardim zoológico e a uma estrebaria. Afastaram-na mas não conseguiram pôr fim à sua luta.
Entre Cabul (onde vive com a cabeça a prémio), e as viagens internacionais regulares, ela incomoda o poder afegão e mundial.
Denuncia a situação das mulheres afegãs, as violações, as violações de crianças,o tráfico de drogas, os mortos e feridos diariamente, e a insegurança que se vive apesar da presença dos cem mil soldados estrangeiros. Refere que há mães dispostas a vender os filhos por 10 dólares.
Faz do activismo a sua vida e a sua forma de viver. E fez-me reflectir mais uma vez.
Que mundo é este em que vivemos no qual uma mãe é capaz de vender um filho? Onde se violam crianças? Onde "matar uma mulher é o mesmo que matar um pássaro"? E onde se instalam guerras e se mata em nome da paz?
Admiro profundamente estas pessoas que têm coragem de dar a cara por aquilo em que acreditam, mesmo que isso implique pôr a vida em jogo. Pessoas que não esperam apenas por um mundo melhor, mas que lutam para que isso aconteça. Espero um dia ser uma dessas pessoas.
Muito obrigada pelo seu comentário. Faz-nos realmente pensar no que o ser humano é capaz de fazer (o pior). No entanto é também um grito de esperança no meio de uma multidão de vozes discordantes.
ResponderEliminartambém nos faz pensar na sorte que temos. E quando nos queixamos da vida, da sorte, dos profs, das aulas, as nossas dores deixam de ter significado ao lado de tanta dor.
A cultura desses povos é repugnante. Que sorte temos nós de ter nascido em Portugal.
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