Esta semana falarei sobre comunicação e estratégias de comunicação política,uma vez que já se encontram terminadas as eleições, não correndo assim o risco de ser criticada nem sancionada como aconteceu a José Diogo Quintela na sua crónica na revista Pública emitida no dia das eleições legislativas.
Ora bem, Política é Comunicação. "Para chegar ao poder, assim como para o exercer ou prestar contas ao cidadão, a política é comunicação." É a ela que se atribui a função de difundir os princípios e valores que fundamentam a ideologia de cada partido. Para haver uma escolha tem de existir informação sobre as diversas opções e caminhos pelos quais se pode optar. O que todos os partidos desejam conquistar, são votos. E um voto não é mais do que uma escolha.
A primeira fase deste processo passa pela difusão do nome do líder, candidato, plataforma política e acções a levar a cabo por estas.
A segunda fase visa alcançar o apoio dos cidadãos. E aqui entra o poder de persuasão, sendo necessária uma mensagem apelativa, emocional, influente e acima de tudo verdadeira e congruente, pois, citando Abraham Lincoln: "É possível enganar toda a gente durante algum tempo, e mesmo alguma gente durante todo o tempo, mas não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo."
Ou seja, a capacidade de divulgação da mensagem pretendida, e da comunicação dos dirigentes políticos começa a ser um atributo determinante, porém ineficaz se não for coerente com as suas políticas de acção.
Uma boa estratégia de comunicação é o KISS: "Keep It Simple and Shorter". Objectivos claros, convicções sólidas, e veracidade, pois é a falta de confiança no sistema político e nas promessas feitas que continua a originar uma taxa de abstenção eleitoral de 40%.
Mas estará a comunicação política portuguesa a ir pelo melhor caminho? PSD ganhou as legislativas por ter espalhados cartazes de norte a sul com o slogan "Política de Verdade"? O que falhou a este partido que prometia o que todos desejamos: verdade? Mudança, ruptura com as estratégias passadas, inovação, algo que faça voltar a acreditar que é possível ser melhor.
Foi, a meu ver, a vontade de mudar e de ser a própria mudança, que levou Barack Obama a ser o seu próprio veículo de difusão comunicacional, não se tendo apenas apoiado nos outdoors, slogans...
Os cidadãos sentiram-no perto, acessível, identificaram-se e provavelmente em certas alturas até se reviram nesse homem cujo percurso podia não ter sido de sucesso, dado ter passado por dificuldades. Mas superou-as, não baixou os braços, fazendo assim uma analogia a como seria a sua forma de actuação também no país.
A mensagem que pretendia transmitir surtiu o efeito desejado, e Barack Obama venceu, no seu país e no mundo.
E é isso que todo o tipo de comunicação, em todas as suas áreas de actuação, pretende : vencer.